domingo, outubro 23, 2005


O anjo negro
agita-se inquieto e eu olho para o céu, onde assoma agora a lividez da aurora.
Tempo.
Um pânico súbito percorre-me a coluna arruinada num leve movimento ondulatório. Sinto o tique que já me paralisou metade da cara começar a palpitar outra vez, inexoravelmente, como se uma criatura minúscula e furiosa estivesse aprisionada por detrás do globo ocular e tentasse libertar-se. A última carta do nosso jogo é a Morte... Soube-o desde o princípio, mas embora a lassitude do tórax seja um alívio, o meu cérebro rebela-se contra o aniquilamento, e a sua massa estúpida grita: não não não não! A pálpebra da noite começa a entreabir-se e sob ela está o
Olho de Deus com a sua íris vazia e o seu humor terrível.


Sleep, pale sister. Joanne harris.

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