quinta-feira, setembro 01, 2005




Passado

Olho para ti...
imagem de mim
num passado distante...
desvio os olhos,
por cobardia e vergonha.
por não te conhecer,
por não te reconhecer mais.

Todas as aves passaram por mim
em todos os Outonos da minha vida.
Elas sabem para onde vão.
Eu, não sei quem sou...
sou uma ave perdida
buscando o efémero Verão...

Como é possível conhecermos alguém?
se em cada passo que damos,
a nós nos surpreendemos
com tudo aquilo que somos

Como é possível ser-se alguém?
se ser alguém
é não conhecer quem se é...

Como é possível a vida?
se o que sou é vão
como aves buscando

o efémero Verão...


3 Comments:

Blogger André said...

Não escreveste neste post, mas o poema também é de Mário de Sá-Carneiro? Ao le-lo lembrei-me deste, do seu amigo Fernando Pessoa.

A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.

8:57 da tarde  
Blogger elementar said...

Não... o passado é meu..

brigado pelo coment o poema é lindo!!

11:18 da tarde  
Blogger Luis da Cunha said...

ahah! confundido com mário de sá carneiro... que orgulho, hein? está muito bom, continua a postar poemas teus porque são tão «lindos!!» como os do nandinho!

10:58 da tarde  

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